Ouvir a floresta talvez seja o sinal de atenção mais poderoso para adiarmos o fim do mundo. Com essa convicção, o LABVERDE, a Sounds Right e o Museum for the United Nations – UN Live se unem para lançar, durante a COP-30 em Belém, a coletânea Nature x LABVERDE EP, uma série inédita de gravações ambientais que reconhece a Amazônia como artista e transforma seus sons em ferramentas diretas de conservação. A obra apresenta cinco EPs que revelam, cada um à sua maneira, que a maior biodiversidade do planeta é também a maior diversidade sonora da Terra.

Ouça os EPS: https://hyperfollow.com/labverde
Criada a partir de gravações inéditas de rios, cachoeiras, tempestades, florestas e animais, registrados pela dupla Marlon Wirawasu e Lisa Schonberg, o projeto traz desde o estrondo dos “rios voadores”, isto é, as chuvas que nascem nas nuvens amazônicas, até a delicada comunicação de insetos e pequenos organismos, normalmente inaudíveis aos ouvidos humanos. Há ainda a força das águas claras e escuras dos rios Solimões e Negro, respectivamente, bem como o amanhecer sinfônico marcado por araras e bugios. As paisagens noturnas em que convivem sapos, cigarras e, ainda, o som subterrâneo de cupins, caranguejos e formigas também integram o lançamento.
A inovação da iniciativa está em reconhecer, juridicamente, a Natureza como artista oficial nas plataformas de streaming. Cada reprodução da coletânea gerará royalties destinados a projetos de conservação liderados por comunidades ribeirinhas e indígenas do Mosaico de Unidades de Conservação do Baixo Rio Negro, região esta que abriga 12 áreas contíguas e protegidas, além de funcionar como um cinturão de defesa contra o avanço do desmatamento na Amazônia Central. Assim, a indústria fonográfica passa a atuar como um ativo ambiental, inaugurando uma nova economia circular que alinha cultura, ecologia e justiça climática.
Para Lilian Fraiji, diretora do LABVERDE, “temos orgulho de fazer parte dessa rede internacional que acredita na música como arma imaterial na luta pela justiça climática”. Já a artista Lisa Schonberg, responsável por parte das gravações, reforça: “Este projeto redefine nossos sistemas econômicos, políticos e culturais de propriedade do som ambiental. Aqui, o mundo além do humano é reconhecido como detentor dos direitos sobre seus próprios sons”.
“É uma honra fazer parceria com o LABVERDE, um coletivo que reimagina como vivemos e nos inspiramos na natureza como musa e salvação — garantindo que a própria natureza seja creditada e compensada pelo uso de seus sons”, afirma Iminza Mbwaya, da Sounds Right.
Fernanda Paiva, especialista em cultural branding, inovação e economias criativas, idealizadora e embaixadora do Amazonia Sonora complementa: “Quando participei do LabVerde em 2022 e tive contato com a bioacústica amazônica, entendi que a floresta também canta e que sua vitalidade sonora é um patrimônio vivo. A partir dali, inspirei-me nas economias regenerativas para imaginar a Amazônia como artista: seus sons virando música, linguagem de sensibilização e consciência, e uma forma de reverter renda para as comunidades que a protegem. É a arte abrindo caminhos para a preservação e regeneração da vida”.
O lançamento, disponível em todas as plataformas de streaming, coincidiu com a Conferência Climática da ONU e posiciona a arte no centro das discussões sobre clima, direitos da natureza e economia. Mais do que uma compilação de registros sonoros, Nature x LABVERDE propõe outra forma de relação com o território, em que a escuta se converte em cuidado e a cultura se torna ferramenta concreta de preservação.
Como desdobramento desse movimento, o LABVERDE também anuncia a próxima edição da residência artística Labsonora, que acontecerá em abril de 2026, reunindo músicos, curadores, ecólogos, antropólogos, povos indígenas e representantes de comunidades tradicionais no coração da floresta. A proposta é cocriar, a partir da escuta dos ambientes, conexões entre música ancestral, bioacústica, oralidade e gravações ambientais — uma experiência transdisciplinar que investiga o papel da música na justiça ambiental e na conservação da sociobiodiversidade amazônica.
Realizado com apoio do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), Earth Percent (UK), Mosaico do Baixo Rio Negro (SECMAS-AM) e Associação Comunitária Nova Esperança, o projeto amplia a importância da Amazônia não apenas como patrimônio ecológico, mas como promotora de cultura, linguagem e conhecimento. Ao transformar sons da floresta em recurso para sua própria proteção, a Amazônia Sonora inaugura uma nova forma de pensar a música, a economia e o futuro do planeta: um caminho que começa e se pavimenta pela escuta.
Sobre LABVERDE:
Criado em 2013, o LABVERDE é uma plataforma transdisciplinar de Arte e Ecologia baseada na Amazônia que reúne artistas, cientistas, indígenas e diversos agentes do conhecimento para desenvolver novas narrativas e formas de interação com a natureza. Liderado por Lilian Fraiji, com produção de Tammy Cavalcante e orientação da ecóloga Flávia Santana, o projeto — criado por um coletivo de mulheres e em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) — promove residências artísticas, festivais, exposições, workshops e publicações que articulam uma rede plural de profissionais e instituições no Brasil e no exterior. Reconhecido internacionalmente, o LABVERDE conta com apoios como Earth Percent (UK), Mosaico de Conservação do Baixo Rio Negro (SECMAS-AM) e Associação Comunitária Nova Esperança, atuando na produção e democratização de conhecimentos e na defesa da sociobiodiversidade dos ecossistemas amazônicos.
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Foto: Crédito: Laryssa Machada




