
O novo longa-metragem do aclamado diretor Kleber Mendonça Filho, intitulado “O Agente Secreto”, tornou-se o centro das atenções não apenas pelo seu potencial artístico, mas também pelos números que envolvem sua viabilização financeira. Ao todo, o Governo Federal destinou R$ 11,25 milhões para a obra, divididos entre as fases de produção e comercialização.
De onde vem o dinheiro?
Diferente do que muitos supõem, a maior parte dessa verba não sai diretamente do Tesouro Nacional, mas sim de mecanismos específicos de fomento à indústria cultural. O investimento federal divide-se em duas frentes principais:
Fundo Setorial do Audiovisual (FSA): O governo aportou R$ 8,25 milhões através deste fundo, gerido pela Ancine. Desse total, R$ 7,5 milhões foram aplicados diretamente nas filmagens e R$ 750 mil foram reservados para a etapa de comercialização.
Lei do Audiovisual: Outros R$ 3 milhões foram captados para a comercialização por meio de incentivo fiscal. Neste modelo, pessoas físicas ou jurídicas destinam parte do seu Imposto de Renda para o filme em troca de isenção fiscal, o que caracteriza o uso de renúncia de recurso público federal.
Orçamento Global e Coprodução
Embora expressivo, o investimento brasileiro é apenas uma parte do orçamento total do filme, estimado em R$ 28 milhões. A produção é um esforço internacional que divide custos e riscos entre o Brasil, França, Alemanha e Holanda.
Na fatia que cabe ao Brasil (R$ 13,5 milhões para produção), o restante dos recursos foi completado por aportes da iniciativa privada.
Investimento ou fundo perdido?
É importante ressaltar que o modelo de aporte via FSA funciona como um investimento. Isso significa que o Governo Federal detém participação nos direitos comerciais da obra. Caso o filme alcance sucesso de bilheteria e vendas para plataformas de streaming internacionais, uma porcentagem dos lucros retorna ao Fundo Setorial para financiar novas produções brasileiras no futuro.
“O Agente Secreto”, que conta com Wagner Moura no elenco principal, reafirma a estratégia de utilizar recursos setoriais para manter o Brasil competitivo no mercado cinematográfico global.




