quinta-feira, setembro 17, 2026
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Da cozinha à rotina de saúde: por que a cúrcuma conquistou espaço no autocuidado?

Conhecida pela cor amarela vibrante, especiaria concentra compostos bioativos estudados por seu potencial antioxidante e de modulação de processos inflamatórios

São Paulo (SP), setembro de 2026 Talvez você conheça a cúrcuma pelo amarelo intenso que ela deixa no arroz, no curry ou naquele “leite dourado” que ganhou espaço nas redes sociais. Mas a especiaria, também conhecida como açafrão-da-terra, está deixando de ser apenas um ingrediente da cozinha para ocupar um novo lugar na rotina de quem busca mais saúde e bem-estar.
Esse movimento acompanha uma mudança maior no comportamento do consumidor. Um levantamento divulgado em agosto de 2026 mostrou que Millennials e Geração Z já respondem por mais de 65% das compras de suplementos no Brasil. O mercado cresceu 26% desde a pandemia, enquanto 28% desse público apresenta consumo frequente de produtos de beleza e emagrecimento no e-commerce de farmácias. O cenário reforça que a suplementação passou a fazer parte de uma rotina de autocuidado que vai muito além do universo dos esportes de alta performance.

É nesse contexto que ingredientes conhecidos há séculos pela alimentação, como a cúrcuma, ganham novos olhares. Mas, afinal, para que serve a cúrcuma? A cúrcuma (Curcuma longa) é uma especiaria rica em compostos bioativos chamados curcuminoides, entre eles a curcumina. Esses componentes são estudados principalmente por suas propriedades antioxidantes e pela capacidade de participar da modulação de processos inflamatórios no organismo.

“Quando falamos em cúrcuma, estamos falando de um alimento que reúne compostos bioativos interessantes e que pode fazer parte de uma alimentação equilibrada. A curcumina é estudada principalmente por sua relação com processos inflamatórios e estresse oxidativo. O benefício está dentro de um contexto de alimentação e estilo de vida saudáveis”, explica Valquíria Soares, nutricionista da Mundo Verde.
A cúrcuma pode fazer parte da alimentação como tempero ou ser encontrada na forma de suplemento, mas essas duas formas de consumo não são equivalentes. Na cozinha, ela é utilizada em pequenas quantidades e pode ser adicionada a arroz, legumes, sopas, molhos, carnes e outras preparações, contribuindo com cor, sabor e compostos bioativos à alimentação. Já os suplementos concentram e padronizam os curcuminoides, permitindo uma ingestão mais controlada desses compostos.

“A suplementação pode fazer sentido quando existe um objetivo nutricional específico e quando a alimentação não é suficiente para a estratégia definida. Nesse caso, é importante avaliar não apenas a quantidade de curcuminoides, mas também a formulação e a biodisponibilidade do produto”, explica Valquíria.

Isso porque a curcumina pode apresentar baixa biodisponibilidade quando consumida isoladamente. Na alimentação, associar a cúrcuma a uma refeição com fonte de gordura pode favorecer seu aproveitamento. Já os suplementos podem utilizar tecnologias como formulações micelares, lipossomais ou associações com fosfolipídios para melhorar a absorção.

Não existe uma quantidade universal de cúrcuma que possa ser indicada para todas as pessoas. A dose depende do tipo de ingrediente, da concentração de curcuminoides e da formulação utilizada. No Brasil, a regulamentação estabelece limites específicos para ingredientes derivados de Curcuma longa, o limite máximo estabelecido é de 130 mg de curcuminoides totais para adultos.
“Antes de iniciar uma suplementação, é importante buscar orientação de um profissional de saúde, principalmente no caso de pessoas que fazem uso contínuo de medicamentos ou apresentam alguma condição de saúde”, finaliza a nutricionista.

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