
O Metrô de São Paulo iniciou na noite de segunda-feira (5) o transporte das peças da maior tuneladora da América do Sul, que será utilizada na expansão da Linha 2-Verde.
A carga vinda da China chegou ao Porto de Santos, no litoral do estado, em 8 de maio, e lá ficou armazenada desde então.
Batizado de “Cora Coralina”, o “tatuzão” está sendo transportado desmontado para o canteiro de obras Complexo Rapadura, localizado na Vila Formosa, Zona Leste da capital paulista. De acordo com o Metrô, esse processo deve ser concluído até agosto.
Devido a existência de peças muito grandes e pesadas, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) adotará o protocolo de transporte de “cargas superdimencionadas”, interditando temporariamente ruas e avenidas da capital quando necessário, das 23h30 às 5h.
Nesta semana, o protocolo será implementado na quarta (7), quinta (8) e sexta-feira (9), até o início de sábado (10). A CET recomenda que os motoristas evitem a região do trajeto das peças durante essas madrugadas e que respeitem as sinalizações e os agentes de trânsito.
Das quase 70 peças que compõem o “tatuzão”, as cinco maiores devem ser trazidas para São Paulo nesta semana, segundo a Artesp (Agência de Transporte do Estado). Uma delas se chama Main Drive, o principal componente da roda de corte da tuneladora que sozinho pesa 189 toneladas. Ele deve deixar o litoral nesta terça (6) e chegar na capital no sábado (10).
Trajeto das peças
- Rodovia Anchieta (marginal Sul — km 64,5 ao km 59,1)
- Rodovia dos Imigrantes (pista Norte — km 62 ao km 26)
- Rodoanel Mário Covas (km 72 ao km 86)
- Rodovia SPA 086/21 — região de Mauá
- Rua 15 de Novembro (acesso à Av. Sapopemba)
- Avenida Sapopemba
- Praça Felisberto Fernandes da Silva
- Avenida Ragueb Chohfi
- Avenida Aricanduva
- Rua Júlio Colaço (pela contramão)
- Rua Jericinó
- Rua Lutécia (pela contramão)
- Rua Oswaldo Arouca
- Avenida Guilherme Giorgi
- Rua Bailque
- Praça Mauro Broco — Complexo Rapadura
Cora Coralina
Segundo o diretor de operações da Comexport, Breno Augusto de Oliveira, o nome Cora Coralina foi escolhido pelo Metrô em conjunto com o consórcio, seguindo uma tradição mundial de batizar tuneladoras.
Montado, o tatuzão pesa 2,7 mil toneladas e tem capacidade para perfurar numa profundidade de até 41 metros. Ele deverá escavar 7,5 km de comprimento, realizando a primeira fase da expansão da Linha 2-Verde, com a ligação da Vila Prudente à Penha.
A máquina produzida pela China Railway Engineering Equipment Group (CREG) tem 11,66 m de diâmetro, o que a torna mais espessa do que a utilizada pelo consórcio Acciona nas obras da Linha 6-Laranja, batizada de Maria Leopoldina.
O Metrô de SP garante que o equipamento é seguro e afirma que a companhia realiza um processo contínuo de monitoramento das condições de solo no entorno do trajeto onde será perfurado o túnel para a passagem de trens.
Questionado sobre os possíveis riscos causados pela trepidação às moradias das áreas de expansão da Linha 2-Verde, o Metrô disse que “o tamanho da roda de corte não está associado a qualquer tipo de danos já registrados em outras obras do tipo [perfuração de túneis]” e afirmou que “o uso de tuneladoras para esse tipo de obra é seguro e amparado em estudos preliminares das condições geológicas das regiões, bem como das redes de utilidade pública [água e esgoto, por exemplo]”.




