O que há alguns anos era considerado cegueira definitiva hoje é alvo de próteses que são conectadas diretamente ao sistema nervoso, para criar percepção visual. A tecnologia tem avançado cada vez mais para contornar estruturas oculares danificadas e possibilitar que pessoas que tiveram a visão afetada por doenças como degeneração macular voltem a perceber vultos, luzes e formas.
A Dra. Mayra Leite, oftalmologista do H.Olhos, diz que “o objetivo imediato da medicina oftalmológica não é necessariamente devolver a visão 100%, mas estimular o cérebro a reaprender a enxergar, para que a pessoa volte a conquistar a autonomia. Para quem vive na escuridão, ganhar a capacidade de caminhar sozinho, ler um aviso ou reconhecer um ente querido é a verdadeira revolução”.
Uma das frentes mais promissoras na reabilitação visual é o desenvolvimento de chips de retina e implantes corticais capazes de devolver algumas das funcionalidades do olho. Algoritmos de Inteligência Artificial (IA) substituem fotorreceptores que foram danificados em patologias e assumem o papel de converter a luz em impulsos elétricos, para que o sistema nervoso possa interpretar e formar imagens.
“Essas tecnologias prometem não apenas devolver a percepção luminosa, mas restaurar a funcionalidade do olho do paciente, consolidando uma verdadeira revolução na medicina regenerativa. Os cientistas já demonstraram que auxílios ópticos inteligentes, como óculos que utilizam IA, permitem aumentar imagens em tempo real para pessoas com baixa visão. Também são capazes de identificar objetos e textos, narrando ao usuário o que está à sua frente”, afirma a médica.
Entre os avanços na oftalmologia, cientistas de Israel anunciaram no ano passado ter realizado com sucesso o primeiro transplante de córnea impressa em 3D, restaurando a visão da paciente. Na Austrália, pesquisadores trabalham no desenvolvimento de um olho biônico que se conecta diretamente ao sistema nervoso e promete devolver a capacidade de enxergar a pessoas cegas.
Embora o caminho para a reabilitação visual esteja mais curto, criar uma nova tecnologia custa caro e depende de várias etapas. De acordo com a Dra. Mayra Leite, “são necessários anos de pesquisas e investimentos pesados para financiar estudos, além de regras rígidas que garantam a eficácia e a segurança da ferramenta. Após os testes, órgãos como a Agência Vigilância Sanitária (Anvisa) ou a Agência Federal dos Estados Unidos (FDA) precisam revisar cada detalhe, antes de aprovar a comercialização”.
Outro desafio da medicina oftalmológica é ampliar o acesso aos tratamentos genéticos, que ainda são uma opção para poucos, em razão do alto custo. “A terapia genética para doenças oculares, particularmente as da retina, já está aprovada e disponível. Essa tecnologia possibilita corrigir genes defeituosos ao transportar vetores virais diretamente para as células da retina, freando ou revertendo a perda da visão”, esclarece a oftalmologista.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que entre 60% a 80% dos casos de cegueira ou deficiência visual poderiam ser evitados, tratados ou curados com ações de prevenção. As principais doenças que causam perda de visão irreversível são o Glaucoma, que avança silenciosamente danificando o nervo óptico, a Retinopatia Diabética, que surge em consequência do diabetes mal controlado, e a Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI), que provoca cicatrizes na retina.
Realizar exames oftalmológicos ao menos uma vez por ano, controlar a pressão arterial e o nível de glicose no sangue, utilizar óculos escuros com proteção contra raios ultravioleta, evitar o tabagismo e adotar hábitos alimentares saudáveis são medidas que contribuem para a prevenção de doenças oculares. Vale reforçar que em caso de trauma no olho ou sintomas como dor, ardência, vermelhidão, visão turva ou embaçada, é fundamental consultar imediatamente um especialista.
Atenciosamente,
Sig Eikmeier



