quarta-feira, setembro 9, 2026
Início Destaques no Brasil Como manter um projeto de comunicação e cultura popular vivo e gerando...

Como manter um projeto de comunicação e cultura popular vivo e gerando valor para a audiência?

O programa de rádio A Hora do Rei do Baião está no ar desde 2007. Retransmitido por 15 veículos de diferentes estados do país, tem espaço ao longo dos anos na FM Cultura de Teresina, Piauí.

movimento colaborativo para a difusão da cultura popular gonzaguiana tem no programa um exemplo de produto de comunicação que, embora enraizado no rádio, dialoga hoje com outros veículos e utiliza plataformas digitais para troca de informações, contatos e redes de interesse.

O apresentador é um comunicador nato. Wilson Seraine é engajado na causa da cultura e múltiplo em suas atividades. Está à frente do programa de rádio, professor de física no Instituto Federal do Piauí (IFPI), autor de diversos livros que abrangem temas da cultura popular, Conselheiro Estadual de Cultura do Piauí, e contribui com sua experiência e visão para o desenvolvimento cultural da região.

Como presidente da 1ª Colônia Gonzaguiana do Brasil, Wilson tem criado diversas ações que colocam a cultura popular e a herança de Luiz Gonzaga como protagonistas de um movimento de exaltação da regionalidade.

Ele nos respondeu perguntas sobre a história do programa e sua opinião sobre a relação entre cultura popular, plataformas digitais e jornalismo.

Como foi o início na rádio e que mudanças foram feitas ao longo dos anos?

Começamos a transmitir o programa na FM Cultura no dia 8 de março de 2007, com o mesmo nome que temos ainda hoje, “A Hora do Rei do Baião”. Inicialmente, o programa era transmitido ao vivo, mas posteriormente passou a ser gravado, o que trouxe melhorias significativas.

Com isso, começamos a criar blocos temáticos, incluindo músicas raras, curiosidades, músicas em outros idiomas, e destacando artistas que cantaram Luiz Gonzaga em vida ou os que ainda estavam fazendo essas homenagens. Foi quando colocamos também nossa parte de pesquisa que já vinha sendo feita há muitos anos, abordando temas e convidando entrevistados. Isso só foi melhorando a repercussão de forma positiva. Estamos lá todos esses anos e ninguém mexe com nosso programa.

Que ganhos o programa teve com a chegada mais forte das plataformas digitais?

Hoje é possível ouvir o programa pela internet e, atualmente, 15 rádios do Brasil retransmitem. E isso se deu por esse contato com pessoas que eu nem conhecia. Temos essa colaboração de retransmissão em rádios do Piauí, Ceará, e Pernambuco, além de oito web rádios entre Ceará, Pernambuco, Distrito Federal e São Paulo.

Com o advento do WhatsApp, Facebook e Instagram, muitas pessoas passaram a nos conhecer. Com esses canais, recebi convites para palestras e eventos. Houve também uma maior demanda da sociedade local por palestras sobre cultura nordestina e Luiz Gonzaga, o que nos levou a diversos lugares e a abordar diferentes aspectos dessa rica cultura.

As festas juninas são um grande momento de exaltação da cultura regional, especialmente nos estados do Nordeste. O que podemos destacar que fazem destas festas um evento tão fundamental e que merece um olhar especial do jornalismo?

Não há nada igual às festas juninas em nossa cultura. Falo isso e o povo até acha exagero, mas veja: elas possuem músicas próprias, danças, figurinos, adereços, decorações, e comidas típicas, além de datas fixas no calendário. Tem também um caráter religioso, cultural e um ícone próprio que é Luiz Gonzaga. Não há outra festa com tantos elementos únicos e próprios que seja tão representativa e que contribua tanto para a cultura brasileira.

Como um comunicador que atua há tantos anos, como você vê o papel da imprensa na cobertura desses eventos e na valorização da cultura popular?

Colaboramos com veículos da imprensa nos eventos que realizamos, e eles participam ativamente, pelo menos a nível local temos essa experiência. Mas a cultura popular ainda não é amplamente consumida, muitas vezes vista como algo sem rendimento econômico. No entanto, é importante destacar que uma parte significativa do PIB brasileiro vem da cultura, que gera renda e emprego. É um sistema que vai além da atividade artística, com muitas pessoas envolvidas na geração de empregabilidade. Valorizar a cultura local é crucial, pois, sem uma cultura forte, acabamos absorvendo as de outros lugares e as nossas vão se perdendo.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui