A corrida eleitoral de 2026 para o Governo do Amazonas ganha contornos dramáticos, e não pelas propostas apresentadas, mas pelo peso das investigações policiais que cercam o principal articulador político da chapa do PL. A pré-candidata Professora Maria do Carmo Seffair, que recentemente celebrou o “martelo batido” de sua candidatura com o apoio de Valdemar Costa Neto, vê sua imagem inevitavelmente atrelada a um escândalo de desvio de verbas públicas que abala as estruturas do partido.
A Polícia Federal investiga um suposto esquema de direcionamento de emendas parlamentares liderado por Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL. A investigação aponta que Valdemar, mesmo sem mandato parlamentar, atuava na indicação de municípios beneficiados e na definição de valores de emendas federais, utilizando parlamentares como “autores formais” para ocultar sua influência direta na destinação dos recursos. O volume total investigado chega a R$ 119,2 milhões, dos quais cerca de R$ 104 milhões já teriam sido executados.
Entre os municípios citados na investigação estão Ubatuba e Caraguatatuba, no Litoral Norte de São Paulo, que juntos receberam R$ 30 milhões em emendas destinadas à saúde sob a influência do dirigente partidário. Embora as investigações até o momento não imputem irregularidades diretamente às administrações municipais envolvidas, o foco no modus operandi de Valdemar Costa Neto levanta sérios questionamentos sobre a ética e a transparência na gestão de recursos públicos sob sua influência.
É nesse cenário nebuloso que Maria do Carmo Seffair busca viabilizar sua candidatura. A imagem da pré-candidata, que tentava transmitir confiança e apoio partidário através de vídeos e releases ao lado de Valdemar, agora aparece ofuscada pela sombra das investigações. O apoio que deveria ser um trunfo político torna-se um fardo pesado, associando sua imagem a práticas que a sociedade repudia veementemente.
A tentativa de Maria do Carmo de blindar sua candidatura através de Brasília e de divulgar dados de pesquisas eleitorais favoráveis soa como uma estratégia defensiva diante do desgaste iminente. O crescimento nas intenções de voto e a liderança nas pesquisas podem ser efêmeros se a pré-candidata não conseguir desvincular sua imagem da imagem de seu principal padrinho político, hoje no centro de um furacão investigativo.
A questão que se impõe para o eleitorado amazonense não é apenas a competência ou as propostas da Professora Maria do Carmo, mas a sua conexão com um esquema de desvio de dinheiro público. A foto ao lado de Valdemar Costa Neto, que antes simbolizava poder e apoio, agora pode ser interpretada como um símbolo de conivência e endosso a práticas corruptas. O destino da pré-candidatura do PL no Amazonas está, mais do que nunca, atrelado aos desdobramentos das investigações da Polícia Federal.





