Lagarto (SE) – Aos 14 anos, Lauan da Rosa teve a rotina interrompida após sofrer um grave acidente de carro. O adolescente passou cerca de dois meses internado entre a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e a enfermaria do Hospital Universitário de Lagarto da Universidade Federal de Sergipe (HUL-UFS), unidade vinculada à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). Durante o período de internação, enfrentou complicações clínicas graves e precisou de diversas transfusões de sangue.
“Nesse período entre a UTI e a enfermaria, tive complicações no rim e no pulmão. Cheguei a ter uma parada cardíaca de 12 minutos”, relembra Lauan.
Em um dos momentos mais críticos do tratamento, ele chegou a receber aproximadamente 30 bolsas de sangue em um único dia.
Acolhimento durante o tratamento
Além da assistência médica, o período de internação também marcou o início de um vínculo entre o paciente, a família e profissionais do hospital. Foi nesse contexto que Lauan conheceu Luciene da Silva, técnica em Análises Clínicas da Agência Transfusional do hospital.
Com o grande número de transfusões realizadas, o organismo do paciente passou a apresentar reação imunológica, o que exigiu acompanhamento mais próximo para garantir a compatibilidade sanguínea. A partir desse momento, a articulação entre o hospital, o Centro de Hemoterapia de Sergipe (Hemose) e a família se tornou fundamental para a continuidade do tratamento.
“Com o tempo, os anticorpos do Lauan passaram a apresentar reação em razão das múltiplas transfusões. Quando ele precisava fazer cirurgia, entrávamos em contato com o médico e solicitávamos a coleta do sangue, que era enviado ao Hemose. Só depois que as bolsas chegavam é que a cirurgia era realizada”, explica Luciene.
Em 2022, Lauan voltou a ser internado no HUL-UFS para tratar uma osteomielite, infecção grave que atinge o osso e pode comprometer também a medula óssea e tecidos ao redor. Foram mais três meses de internação, novas cirurgias e outras transfusões.
“Quem me salva é a Luciene”, afirma o paciente. “Ela organiza tudo, avisa se há algum imprevisto e a gente remarca. Sempre tem sangue quando preciso. Sempre tem alguém olhando por mim.”
Reconhecimento à equipe
A experiência também marcou a família. Luciana da Rosa, mãe de Lauan, lembra do primeiro contato com a profissional, ainda no corredor do centro cirúrgico, enquanto aguardava notícias do filho.
“Ela se aproximou e perguntou se eu era mãe do Lauan. Disse que era do banco de sangue e precisava da minha autorização porque ele precisaria de várias bolsas. Eu respondi que, para salvar meu filho, ele poderia tomar até um caminhão de sangue”, recorda.
Segundo ela, o apoio e a atenção da equipe permaneceram ao longo de todo o processo de recuperação. Após mais de 20 cirurgias, Lauan afirma guardar gratidão pelos profissionais que participaram de sua trajetória no hospital. Ele destaca o trabalho de enfermeiros, médicos e equipes de apoio que acompanharam seu tratamento, entre eles os médicos Henrique, Rafael Gonçalves, Rafael Rodrigues e Tomas, além da equipe do Núcleo Interno de Regulação (NIR).
“Fiz muitas amizades com enfermeiras e com os doutores. Também agradeço ao pessoal do NIR, especialmente à Larissa, que sempre ajudou com informações sobre meu estado”, relata.
Sobre a Ebserh
O HUL-UFS faz parte da Rede Ebserh desde 2017. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo em que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
