terça-feira, setembro 29, 2026
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Setembro Verde: mãe doa rim ao filho e transforma esperança em uma segunda chance de vida

Em Uberaba, Randerson Junior Palhares recebeu um rim da própria mãe após meses de hemodiálise e acompanhamento no MPHU

A história de Randerson Junior Palhares, de 30 anos, morador de Campo Florido, ganhou um novo capítulo. Depois de meses enfrentando uma grave doença renal e realizando hemodiálise, ele recebeu um rim da própria mãe, Lúcia Helena Silva, em um transplante que representa uma nova oportunidade de vida.

O caso acontece em um mês dedicado à conscientização sobre a importância da doação de órgãos. Segundo dados do Ministério da Saúde, 48.159 pessoas aguardavam por um transplante no Brasil em 2025. No mesmo período, foram registrados 15.909 potenciais doadores de órgãos e 4.321 doadores efetivos em todo o país.

Entre os transplantes, o renal ocupa um papel importante, já que o rim pode ser doado tanto após a morte quanto em vida. Segundo o Ministério da Saúde, por serem dois órgãos, os rins podem ser doados em vida, desde que o doador seja considerado apto após uma avaliação médica criteriosa.

Foi justamente por meio de uma doação em vida que Randerson teve a possibilidade de deixar para trás uma rotina marcada pelas sessões de hemodiálise.

Tudo começou quando a família percebeu que ele não estava bem. Durante a investigação para avaliar o funcionamento dos rins, Randerson sofreu um AVC hemorrágico. Os exames mostraram que seus rins funcionavam com apenas 10% da capacidade, tornando necessária a realização de hemodiálise.

Desde janeiro de 2025, ele realizava o tratamento três vezes por semana no Mário Palmério Hospital Universitário (MPHU). Foram meses de tratamento, exames e acompanhamento até que surgiu a possibilidade de um transplante com doador vivo.

A família descobriu que Lúcia era compatível para doar um rim ao filho. Depois de passar pelas avaliações necessárias e ser considerada apta para a doação, ela pôde concretizar o gesto que mudou a história dos dois.

“Eu acredito que Deus está dando uma segunda chance para ele. Hoje, poder ver meu filho passando por tudo isso e chegar até aqui é uma vitória para nossa família”, conta Lúcia.

Para Randerson, o transplante representa a possibilidade de retomar uma rotina diferente, com mais qualidade de vida e mais tempo ao lado do filho, de 10 anos, e da família.

“Sou muito grato à minha mãe por tudo o que ela fez e continua fazendo por mim. Saber que ela me deu essa oportunidade de recomeçar é algo que vou levar para o resto da minha vida”, afirma.

Doação de órgãos pode transformar vidas

No Brasil, a doação de órgãos após a morte depende da autorização da família. Por isso, o Ministério da Saúde reforça a importância de conversar com familiares e deixar clara a vontade de ser doador. Os órgãos doados são destinados a pacientes que aguardam por um transplante na lista do Sistema Nacional de Transplantes (SNT).

Já a doação em vida, como aconteceu no caso de Randerson, exige que o possível doador passe por avaliações médicas para verificar suas condições de saúde e a possibilidade de realizar o procedimento com segurança. A compatibilidade entre doador e receptor também é avaliada pelas equipes especializadas.

De acordo com Nathalia Macedo Mendonça, nefrologista do pré-transplante do MPHU, o processo envolve diferentes etapas de avaliação.

“A doação em vida é um processo que exige uma avaliação bastante criteriosa. O doador precisa estar em condições adequadas de saúde e todos os critérios médicos e legais precisam ser atendidos para que o procedimento seja realizado com segurança”, explica.

O Ministério da Saúde destaca que o tempo de espera por um transplante depende de fatores como a existência de doadores, a compatibilidade entre doador e receptor, a gravidade do caso e os critérios estabelecidos para a distribuição dos órgãos.

A história de Randerson e Lúcia reforça, no Setembro Verde, que falar sobre doação de órgãos é também falar sobre esperança. Para uma família, o gesto de uma mãe significou a possibilidade de um novo começo.

Depois de meses de hemodiálise, exames e incertezas, Randerson agora inicia uma nova etapa da vida, com um rim doado pela mãe e uma história que mostra, na prática, o significado de uma segunda chance.

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