quinta-feira, abril 2, 2026
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De “matemática chata” a ferramenta para a vida: olimpíada transforma relação de alunos com a disciplina em SP

Com 550 estudantes envolvidos, iniciativa de colégio antecipa contato com olimpíadas científicas e já soma mais de 500 medalhas em competições nacionais

“Professora, como vou utilizar esses cálculos na minha vida?”. A pergunta, comum entre estudantes nos primeiros anos escolares, é justamente o ponto de partida da Olimpíada Interna de Matemática (Olimat), do Colégio Marista Arquidiocesano, em São Paulo. Em sua 10ª edição, a iniciativa mobiliza cerca de 550 alunos do 3º ao 5º ano do Ensino Fundamental, com foco em tornar a matemática mais significativa, aplicada e próxima da realidade dos estudantes.

Criada há dez anos, a Olimat surgiu para ampliar o acesso dos alunos mais novos a experiências que, até então, eram mais comuns a partir dos anos finais, como a participação em olimpíadas de conhecimento. Hoje, consolidada no calendário escolar, a iniciativa combina desafios matemáticos, atividades interativas e reconhecimento dos estudantes ao longo do ano.

É nesse contexto que entra o personagem desta história. Bernardo Costa Arantes, de 12 anos, hoje no 7º ano, participou da Olimat nos anos iniciais e acumulou medalhas ao longo das edições. Aluno do colégio desde 2016, ele resume a experiência como um divisor na forma como passou a enxergar a matemática.

“No começo, eu achava matemática uma matéria chata, que não tinha nada de interessante. Mas a Olimat me ajudou a mudar isso. Eu percebi que não era só uma brincadeira, era um aprendizado para a vida inteira”, conta.

Segundo ele, o contato com os desafios despertou não só o interesse, mas também a motivação. “Fazer as provas me estimulava, porque eu queria conquistar uma medalha. Mas, mais do que isso, eu fui entendendo que a matemática serve para tudo.”

O estudante lembra que, na época do 3º e 4º ano, as provas pareciam difíceis, especialmente os exercícios de lógica. A experiência, segundo ele, foi determinante para o caminho que seguiu depois. “Eu gostava de quebrar a cabeça durante as avaliações. Hoje eu vejo que eram mais simples, mas naquela época foram muito importantes para entender outros conceitos mais complexos. Se não fosse a Olimat, eu não teria vontade de fazer outras olimpíadas. Ela foi o primeiro passo.”

Diferencial
A proposta da olimpíada está alinhada ao conceito de letramento matemático, que amplia o ensino da disciplina para além do cálculo. As provas exigem interpretação, análise e raciocínio, com situações que podem trazer dados excedentes ou até incompletos.

“O objetivo é que o aluno entenda a matemática para além da conta. A gente trabalha o raciocínio, a interpretação e a função social desse conhecimento. Quando ele percebe sentido, se envolve mais e aprende melhor”, afirma Lilian Gramorelli, coordenadora do Ensino Fundamental Anos Iniciais.

Esse movimento acompanha uma discussão mais ampla no campo da educação. Em 2026, o Dia Internacional da Matemática trouxe o tema “Matemática e Esperança”, reforçando o papel da disciplina na construção de um futuro mais justo. Pesquisas desenvolvidas no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP apontam que a matemática, quando associada a abordagens críticas, contribui para a formação de cidadãos mais conscientes, capazes de interpretar dados, tomar decisões e enfrentar desigualdades.

Na prática, esse percurso também se reflete nos resultados. Só em olimpíadas de matemática e exatas, os estudantes do colégio somaram 427 medalhas em 2025, sendo 292 na Canguru de Matemática, 51 na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP), 42 na Olimpíada Brasileira de Astronomia (OBA), 33 na Olimpíada Brasileira de Informática (OBI) e nove na Olimpíada Brasileira de Robótica (OBR).
Além do reconhecimento, essas experiências ampliam oportunidades. Olimpíadas como a Canguru de Matemática estimulam o raciocínio lógico e podem até contribuir para o ingresso em universidades públicas por meio de programas específicos voltados a medalhistas.

Para Bernardo, o principal aprendizado vai além das medalhas. “Vale muito a pena participar. Mesmo que você não ganhe, você obtém experiência. É um teste que mostra o que você sabe e te prepara para outras situações.”

Saiba mais:
O Colégio Marista Arquidiocesano faz parte da rede de colégios e escolas do Marista Brasil, que está presente em 20 estados brasileiros, atendendo cerca de 100 mil crianças, jovens e adultos em 96 unidades de ensino. Os estudantes recebem formação integral, composta pela tradição dos valores Maristas e pela excelência acadêmica alinhada aos desafios contemporâneos. Por meio de propostas pedagógicas diferenciadas, crianças e jovens desenvolvem conhecimento, pensamento crítico, autonomia e se tornam mais preparados para viver em uma sociedade em constante transformação. Saiba mais em: https://arquidiocesano.colegiosmaristas.com.br.

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