Em muitas salas de aula, o tema Consciência Negra não se resume a um mural no mês de novembro. A data, celebrada em 20 de novembro em homenagem a Zumbi dos Palmares, reforça a importância de reconhecer a história e a contribuição da população negra no país, mas o trabalho vai além de um único dia: ele se estende ao longo do ano, com debates, projetos e práticas que valorizam a diversidade e combatem o racismo desde cedo. A cada nova atividade, surge também uma nova forma de olhar o outro, com respeito, empatia e curiosidade.
É essa transformação “silenciosa” que mostra como a educação antirracista tem ganhado espaço real nas escolas brasileiras. Combater o racismo começa cedo, dentro da sala de aula, e vai muito além das datas comemorativas: é um processo contínuo de reconhecimento, valorização e aprendizado sobre as diferenças.
Com esse propósito, escolas do Marista Brasil vêm desenvolvendo, ao longo dos últimos anos, projetos permanentes voltados à diversidade étnico-racial, envolvendo estudantes da Educação Infantil ao Ensino Médio. O objetivo é formar gerações que cresçam livres de preconceitos, conscientes da história e orgulhosas de suas origens.
A campanha de Consciência Negra, integrada ao selo +Cuidado e Proteção, reafirma a transversalidade da educação antirracista ao convocar toda a comunidade escolar a analisar criticamente como o racismo estrutura relações, oportunidades e narrativas no espaço educativo. Ao invés de limitar-se à denúncia das violências históricas e intergeracionais, a proposta desloca o eixo para a valorização ativa das matrizes afro-brasileiras, reconhecendo a potência estética, cultural, política e epistêmica que funda parte significativa do projeto civilizatório do país.
Entre as atividades realizadas estão rodas de conversa com literatura afro-brasileira, vivências musicais inspiradas em tradições africanas, exibição e diálogo com filmes e curtas que exploram a diversidade e outros projetos que resgatam saberes de origem negra. Em cada iniciativa, o mesmo princípio: educar para o respeito e a equidade desde a infância.
“A escola é um espaço de vida. A vida permeia o currículo, as relações e o nosso ser no mundo. É papel da escola oportunizar o acesso à história e cultura negra como lente para ver o mundo e, ao mesmo tempo, possibilitar que estudantes e famílias negras se sintam pertencentes à comunidade educativa marista”, afirma Olavo Chicoski, Coordenador de Cuidado Integral do Marista Brasil.
Visão e transformação socioambiental
O tradicional Fórum de Juventudes, promovido pelo Colégio Marista Arquidiocesano, em São Paulo, dedicou o tema deste ano ao racismo ambiental, conectando o debate às discussões sobre Consciência Negra já trabalhadas ao longo do ano. Cerca de 695 estudantes, entre 14 e 17 anos, participaram de três sessões conduzidas por agentes de pastoral e professores, que apresentaram mapas, números e reflexões sobre o impacto das mudanças climáticas na vida urbana. Eles foram convidados a observar como a população negra da capital está mais exposta a riscos como enchentes, deslizamentos e calor extremo, além de enfrentar menor infraestrutura e maior vulnerabilidade social.
Com base em dados do Mapa da Desigualdade 2024, o objetivo pedagógico foi ampliar o repertório dos estudantes e evidenciar como processos históricos, como a escravização e a abolição, ajudam a explicar as desigualdades persistentes no acesso ao território, à moradia e aos serviços essenciais. O resultado da aplicação diária da educação antirracista é notável. Motivados pelas discussões, as turmas do ensino médio produziram roteiros de podcast sobre o tema, e alguns serão selecionados e publicados nas redes sociais do colégio.
As escolas sociais também fazem parte dessa prática. Em Terra Vermelha (Vila Velha), a Escola Marista Champagnat realizou, nesta semana, o lançamento do livro “Escritores da Terra” e da revista digital “Vozes Negras”, ambos produzidos pelos estudantes. O livro reúne crônicas e contos dos alunos do 9º ano sobre temas como racismo, intolerância religiosa e questões familiares, refletindo a realidade da comunidade escolar majoritariamente preta. Já a revista digital, criada pelos estudantes do 1º ano do Ensino Médio, traz entrevistas e reflexões que valorizam a identidade negra e ampliam o letramento racial.
Segundo o estudante e escritor Rhuan Charles, a prática trouxe uma vivência incomparável em sua vida. “Escrever para esse livro me possibilitou ter a experiência de ser um escritor e ter a chance de poder usar minha criatividade em forma de texto”, explica.
Sobre o Marista Brasil
O Marista Brasil é uma rede de colégios e escolas presente em 20 estados brasileiros, atendendo cerca de 100 mil crianças, jovens e adultos em 96 unidades de ensino. Os estudantes recebem formação integral, composta pela tradição dos valores Maristas e pela excelência acadêmica alinhada aos desafios contemporâneos. Por meio de propostas pedagógicas diferenciadas, crianças e jovens desenvolvem conhecimento, pensamento crítico, autonomia e se tornam mais preparados para viver em uma sociedade em constante transformação. Saiba mais em: maristabrasil.org/
