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Um ano após restrição aos celulares, convivência entre alunos cresce e leitura ganha espaço em colégio de SP

O sinal toca, os alunos entram na sala e a atenção já não disputa espaço com telas acesas. Sem celulares nas mãos e sem notificações interrompendo o início das aulas ou os momentos de intervalo, a cena passou a fazer parte da rotina no Colégio Marista Arquidiocesano, na capital paulista. Um ano após a entrada em vigor da Lei Federal nº 15.100/2025, que restringe o uso de celulares nas escolas, os efeitos começam a aparecer de forma concreta no cotidiano da comunidade educativa.

A discussão ganha ainda mais atualidade neste início de março, quando é celebrado o National Day of Unplugging, movimento internacional que propõe 24 horas de desconexão digital para incentivar o equilíbrio, a reflexão e as relações presenciais. A proposta dialoga diretamente com o que o colégio vivencia diariamente: menos telas durante o período escolar e mais espaço para convivência, atenção e aprendizagem significativa.

Ao longo desse último ano, a mudança foi acompanhada por novos movimentos dentro da escola. A convivência presencial ganhou força nos intervalos, a biblioteca registrou crescimento na procura por leitura e estudo e atividades coletivas passaram a ocupar mais espaço na rotina dos estudantes.

Dados internos apontam que o número de empréstimos de livros passou de 24.840 em 2024 para 27.260 em 2025, um aumento de 2.420 exemplares, equivalente a aproximadamente 10%. Segundo Ricardo Tomasiello Pedro, bibliotecário da unidade, o crescimento foi observado no mesmo período em que a restrição ao uso dos celulares passou a integrar o dia a dia escolar. “Nesse período, percebemos mais estudantes frequentando o espaço, buscando leitura e utilizando a biblioteca para pesquisa e estudo”, afirma.

Além do fortalecimento da biblioteca, o colégio ampliou alternativas de convivência e aprendizagem fora das telas. Entre as iniciativas estão atividades interativas em murais com alto engajamento dos estudantes e jogos analógicos, como torneios de cornhole promovidos pelo Marista Idiomas, escola própria dentro do Colégio, que passaram a integrar os momentos de intervalo.

A cultura dos jogos também ganhou protagonismo dentro do projeto pedagógico. A escola inaugurou um ambiente totalmente dedicado aos jogos de tabuleiro, desenvolvido em parceria com a Galápagos (Asmodee), maior editora e distribuidora de board games do Brasil. Inédita na rede Marista, a iniciativa integra os jogos ao cotidiano escolar como ferramenta pedagógica.

O espaço permanece aberto aos estudantes do Ensino Médio também durante os intervalos. No recreio, é comum encontrar mesas ocupadas por grupos que jogam, conversam e compartilham estratégias. Caso desejem um título específico, os alunos solicitam o empréstimo no próprio espaço, que organiza a retirada.

A própria biblioteca também disponibiliza jogos, ampliando o acesso para outras séries. Assim, além do uso pedagógico planejado em sala de aula, os jogos passam a ocupar um lugar de escolha espontânea no tempo livre.
Estratégia, raciocínio lógico, empatia, trabalho em equipe, leitura e resolução de problemas estão entre as competências estimuladas em partidas de jogos como Dobble, Dixit e outros títulos utilizados pelos professores.

Para Patrick Lima, coordenador pedagógico do colégio, a proposta amplia o engajamento dos estudantes e fortalece novas formas de aprender. “Estamos criando oportunidades de aprendizagem significativas, em que o aluno se engaja de forma espontânea e participa ativamente do processo educativo”, explica.

Segundo ele, a proposta vai além do entretenimento. “Os jogos não estão ali apenas como passatempo. Eles fazem parte de uma estratégia pedagógica que valoriza o desenvolvimento cognitivo e socioemocional, ao mesmo tempo em que oferecem uma alternativa saudável de convivência em um contexto sem celular”, completa.

Um ano após a implementação da lei, a experiência do Arquidiocesano indica que restringir o uso do celular não significa afastar a tecnologia da educação, mas reposicioná-la. A escola passa a ser um espaço estruturado de pausa digital, onde o tempo presencial é valorizado como oportunidade concreta de convivência, concentração e desenvolvimento acadêmico e socioemocional.

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