De uns tempos para cá, a violência no ambiente escolar deixou de ser fenômeno isolado para se consolidar, infelizmente, como complexa dinâmica criminológica. Diante de tal realidade, o vereador Adrilles Jorge (União Brasil-SP) protocolou um Projeto de Lei (PL) que prevê que a cidade de São Paulo-SP realize durante todo um mês ação de prevenção a ataques em instituições de ensino – sejam públicas, das redes estadual e municipal, ou privadas. O texto 344/2026 institui o “Abril Prata” no calendário oficial do município.
Tendo a Guarda Civil Municipal (GCM) como madrinha, a iniciativa de Adrilles prevê atividades de conscientização cibernética e de blindagem contra crimes cometidos em escolas. Para tanto, a Prefeitura deverá colocar em prática campanhas que valorizem a segurança e a proteção dos estudantes, durante todo o mês de abril.
A proposta do parlamentar do União Brasil-SP insere o “Abril Prata” no artigo 7º da lei municipal 14.485/2007, visando o fomento à cultura de paz, à proteção da comunidade escolar e à mitigação de riscos a ataques.
As diretrizes da campanha proposta pelo vereador paulistano incluem, ainda, o combate à cooptação de crianças e de jovens por grupos de ódio em redes sociais, identificação de hoaxes (conteúdos enganosos) e de risco comportamental de iminentes cometedores de ato infracional, além de capacitação para a rápida tomada de providências em caso de incidentes.
Segundo Adrilles, que é membro da Comissão de Educação, Cultura e Esportes da Câmara Municipal de São Paulo, há um estudo da GCM de São Paulo que aponta para maior incidência de ataques em ambiente escolar em abril. O PL 344/2026 é uma resposta a este dado. O vereador do União Brasil ainda lembra que, o massacre em Columbine, nos Estados Unidos – um dos mais letais da história – ocorreu nesse mês, deixando 13 mortos e um sem-número de feridos.
Em 20 de abril de 1999, dois estudantes da Columbine High School, no Colorado, invadiram a escola com espingardas e armas semiautomáticas, matando 12 alunos e um professor, antes de cometerem suicídio. De lá para cá, ataques a tiros em massa em ambiente escolar de todo o mundo se tornaram frequentes.
No Brasil, o maior crime desta natureza ocorreu em Suzano-SP, cidade da região metropolitana de São Paulo, em 13 de março de 2019. Dois estudantes invadiram a Escola Estadual (E.E.) “Professor Raul Brasil” e mataram a tiros sete pessoas, entre funcionários e alunos, além de deixar outras nove gravemente feridas. A dupla ainda usou uma machadinha para golpear algumas das vítimas.
No último dia 5, um adolescente de 13 anos entrou armado no Instituto São José, em Rio Branco, no Acre, e matou duas funcionárias da escola estadual e deixou outras duas pessoas feridas.
De acordo com Adrilles, os ataques ocorridos em instituições de ensino brasileiras “não se limitam à ação endógena de agentes internos” – estudantes estão sendo cooptados por redes sociais que incentivam práticas delituosas. Estudos criminológicos atestam que, mais de 70% dos casos no Brasil evidenciam modus operandi claro de radicalização digital:
“Diante disso, escolas também se tornam alvos de oportunidade. Alunos, ex-alunos e agentes externos exploram falhas no controle de acesso para invadirem o perímetro com armas. Temos de combater ataques com estratégia e com conscientização. Por isso, durante todo o mês de abril, de forma insistente, São Paulo vai tratar do assunto. Temos de evitar que outras tragédias aconteçam. É necessário mobilizar o Brasil, a partir de São Paulo”, justifica o vereador do União Brasil.
