São Paulo, agosto de 2026 – A discussão sobre desigualdades sociais e a importância de estratégias para promover diversidade, equidade e inclusão teve papel central no segundo dia da Conferência Ethos 2026, realizada nesta quarta-feira (19), no Teatro Paulo Autran, no Sesc Pinheiros, em São Paulo.
Em sua 27ª edição, o evento reuniu lideranças empresariais, especialistas, representantes da sociedade civil e do poder público para discutir caminhos para uma atuação empresarial mais ética, responsável e sustentável. Ao longo do dia, temas como inteligência artificial, economia circular, desenvolvimento territorial, cadeias de fornecimento, desigualdades e crise climática estiveram no centro dos debates.
Os custos das desigualdades e o valor da inclusão
Um dos destaques da programação foi o painel de lançamento do livro “Os Custos das Desigualdades: uma carta às elites econômicas”, fruto de um estudo inédito conduzido pelos economistas Michael França e Daniel Duque, realizado em parceria com o Instituto Ethos e com o Núcleo de Estudos Raciais do Insper (NERI), publicado pela editora Jandaíra.
A publicação reúne evidências sobre os impactos econômicos das desigualdades e propõe uma reflexão sobre o papel das lideranças empresariais na construção de um país mais próspero e inclusivo. Durante o debate, conduzido por Andréa Álvares, presidente do Conselho Deliberativo do Instituto Ethos, Michael França e Daniel Duque discutiram queapresentaram como as desigualdades geram custos sociais e econômicos para o país como mercado pequeno, evasão escolar, perda de talentos, queda de produtividade e violência. O estudo dialoga com o segundo livro de Michael França e Fillipi Nascimento, do Núcleo de Estudos Raciais do Insper (NERI), chamado “Loteria do Nascimento”, vencedor do prêmio Jabuti. A obra eficiência o peso das desvantagens herdadas e reforça que as condições do nascimento seguem determinantes para definir a mobilidade e ascensão social dos indivíduos na sociedade brasileira.
“A desigualdade é tratada como uma questão de justiça social e fica pouco visível a relação com a economia. Entretanto, a desigualdade é cumulativa e gera custos sistêmicos. Quando as oportunidades ficam restritas aos vencedores do passado, a coesão social esfarela e a legitimação do sistema passa a ser questionada.”, pontua Michael França.
O debate sobre desigualdades também foi contemplado na mesa sobre o custo da exclusão e o valor da inclusão, com Mariah Rafaela Silva, Especialista em Desenvolvimento Social, Renata Boulos, Coordenadora-executiva da ABCD, e mediação de Ana Lúcia Melo, diretora-adjunta do Instituto Ethos. O painel apresentou dados sobre os custos econômicos da exclusão das pessoas LGBTI+ nos negócios, abordou a necessidade da equidade de gênero e debateu a importância da inclusão como estratégia de negócios.
Inteligência artificial: regulação e responsabilidade
A inteligência artificial também esteve no centro da abertura da programação, com o painel “IA responsável, ética e inclusiva: Quem decide o futuro?”. O diálogo abordou a responsabilidade das empresas diante da regulação da tecnologia e seus impactos sobre o mundo do trabalho, o meio ambiente e a disseminação de desinformação. Também entrou em pauta o uso estratégico da IA a partir das necessidades de cada organização e o desafio de conciliar produtividade e sustentabilidade. A discussão reforçou a necessidade de incorporar a tecnologia de forma responsável, ética e inclusiva, considerando seus efeitos sobre direitos humanos, democracia, diversidade e meio ambiente. A mesa reuniu Carlos Américo Pacheco, titular da Cátedra de IA Responsável da USP, em parceria com o Google; Regina Magalhães, fundadora da Plural Inovação e Sustentabilidade; e Ricardo Lima, CEO da CBM.
Os impactos da crise climática.
A crise climática e seus impactos sobre diferentes territórios brasileiros foram abordados no painel “Governança, participação e resiliência territorial: Construindo respostas integradas às emergências climáticas”. A mesa discutiu como a cooperação entre governo, instituições financeiras e sociedade civil pode fortalecer a adaptação climática, a gestão de riscos e a construção de territórios mais resilientes. Entre os temas abordados estiveram justiça climática, participação social, prevenção, preparação, resposta e reconstrução diante de eventos extremos. O painel contou com a presença de Juliana Moretti, diretora de Planejamento, Orçamento e Gestão Interna da Secretaria Nacional de Defesa Civil do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR); Milena Vieira Bauer, especialista de Sustentabilidade e RSA na CAIXA; Nina Fola, multiartista, militante social e doutora em Sociologia; e Rita Teixeira, gestora de Relacionamento e Captação do Instituto Ethos.
A programação do segundo dia contou ainda com os painéis “Economia circular e transição justa – Transformando resíduos em desenvolvimento”, com Bernardo Rosenthal, Liv Nakashima Costa, Lucio Vicente e Camila Valverde; “Programa Corredor – Parcerias multissetoriais para impulsionar o desenvolvimento territorial na Amazônia”, com Lucimar Souza, Maria Madalena, Raphael Medeiros e Eduardo Figueiredo; e “Cadeias de fornecimento responsáveis – Gerando valor e mitigando riscos”, com Christianne Urioste Canavero, João Paulo Lemes França de Paula, Mateus Oliveira e Caio Magri.
A Conferência Ethos é patrocinada pela ArcelorMittal, CAIXA, CBMM, Globo, Hydro e Natura. Com apoio institucional do SESC e apoio da Atados, Comerc Energia, Galvani, Instituto Cyrela, Itaú, PwC Brasil, Rede Educare, SEST SENAT e 3 Corações.
Sobre o Instituto Ethos
O Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social é uma OSCIP (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público) cuja missão é mobilizar, sensibilizar e ajudar as empresas a gerirem seus negócios de forma socialmente responsável, tornando-as parceiras na construção de uma sociedade justa, ética e sustentável.
Criado em 1998 por um grupo de empresários e executivos da iniciativa privada, o Instituto Ethos é um polo de organização de conhecimento, troca de experiências e desenvolvimento de ferramentas para auxiliar as empresas a analisarem suas práticas de gestão e aprofundar seu compromisso com a responsabilidade social e o desenvolvimento sustentável.
Saiba mais em: https://www.ethos.org.br/





