O próximo 8 de março, o Dia Internacional da Mulher reforça a importância da presença feminina em todos os setores da economia, inclusive em espaços ligados ao comércio popular e à gastronomia, como o Mercado Municipal Paulistano (Mercadão) e o Mercado Kinjo Yamato. Nos dois mercados, mulheres atuam há décadas como comerciantes, vendedoras, gestoras e, claro, lideranças, acumulando histórias que se confundem com a própria trajetória desses ícones da capital paulista.
“Com carreiras que ultrapassam 40 e até 50 anos de atuação, elas enfrentaram enchentes, mudanças estruturais, transformações no perfil do consumidor e os desafios diários de um trabalho que começa ainda de madrugada. Hoje, além de manterem negócios familiares ativos por gerações, ocupam espaços estratégicos na gestão e comunicação, contribuindo para modernizar a experiência do público sem perder a tradição”, comenta Aldo Bonametti, CEO da Mercado SP (Concessionária que administra os espaços).
Tradição que atravessa gerações
Na banca de hortifruti Kaneshiro, do
No início, a família produzia o que vendia, colhendo na própria chácara antes de trazer os alimentos para o mercado. Com o tempo, passaram a trabalhar com fornecedores de regiões como Piedade, Ibiúna e Vargem Grande, ampliando o mix de produtos e aprendendo, dia após dia, sobre sazonalidade, conservação e atendimento.
“O dia começa cedo e a gente aprende todo dia”, resume Andréia. O maior desafio? O ritmo intenso e o equilíbrio de trabalhar em família. O maior orgulho? Justamente essa união e os clientes fiéis que atravessam décadas ao lado delas.
De funcionária a proprietária: um sonho realizado
Há 12 anos no Mercadão, Amanda Alves vive uma trajetória marcada pela fé e pela perseverança. Começou como funcionária e, há quatro meses, realizou o sonho de abrir a própria banca, a Dom Fama.
Sem experiência no início, Amanda aprendeu na prática e descobriu no atendimento ao público uma paixão. “Tem que atender com amor. Isso vem de dentro”, afirma.
A conquista do negócio próprio representa mais que crescimento profissional: é legado. “Era um sonho ter algo nosso”. Para ela, a maior superação foi acreditar que seria possível e continuar fazendo tudo com o mesmo carinho de quando começou.
Quase seis décadas de história
Se os corredores do Kinjo Yamato pudessem
Helena enfrentou enchentes que levaram mercadorias e trouxeram o medo da falência. Resistiu às crises, viu o mercado se transformar e, ali, construiu a própria vida: criou duas filhas, ajudou a formar a família e conquistou estabilidade.
“O meu prazer sempre foi servir bem os clientes”, diz. Muitos a acompanham há 40 anos. É essa fidelidade que a mantém ativa — não por obrigação, mas por escolha. “Eu sou feliz aqui”.
Comunicação que conecta tradição e futuro
Nos bastidores, a força feminina também se faz presente. Há três anos na área de comunicação e marketing da Mercado SP, Marcelle Goulart entrou com o propósito de criar experiências que conectassem pessoas, gastronomia e cultura, mas encontrou mais que isso: encontrou significado.
Seu desafio foi mergulhar em um universo até então distante, entender a complexidade da gastronomia e a diversidade que pulsa nos dois mercados. Hoje, atua para valorizar histórias como as de Andréia, Amanda, Helena e Marli, traduzindo tradição em narrativa e aproximando o público desse patrimônio vivo da cidade.
“É um mundo cheio de história, tradição e vida”, resume.
Trabalho de formiguinha e liderança feminina
Há 34 anos no Mercadão, Marli começou vendendo frutas. O ponto da lanchonete G2, na Rua G, box 2, era apenas uma parada para tomar água no fim do expediente. Até que virou oportunidade.
Com coragem, assumiu o espaço. Começou devagar, com três funcionários. Hoje, lidera uma equipe de dez mulheres. Apostou no “trabalho de formiguinha”: conquistar um cliente por vez e transformar cada atendimento em indicação.
Seu maior desafio foi tornar o negócio conhecido e, hoje, seu maior orgulho é olhar para trás e ver o CNPJ antigo, a equipe formada e a trajetória construída com perseverança.
Sobre a Mercado SP SPE S.A
Desde 2021, a Mercado SP SPE S.A – Mercado SP é a concessionária responsável pela administração do Mercado Municipal Paulistano (Mercadão) e do Mercado Kinjo Yamato pelo prazo de 25 anos. A concessão envolve a operação, manutenção, reforma, restauro e exploração de ambos os mercados, com a missão de revitalizar os espaços, os mais importantes pontos turísticos da cidade de São Paulo, oferecendo uma experiência única em gastronomia, cultura e história, a partir de uma gestão eficiente, transparente, inovadora e ética, com resultados sustentáveis.
Sobre o Mercado Municipal Paulistano (Mercadão)
Inaugurado em 25 de janeiro de 1933, dia e mês do aniversário da cidade de São Paulo, o Mercado Municipal Paulistano foi projetado pelo arquiteto Felisberto Ranzini, do escritório de arquitetura de Ramos de Azevedo e se tornou um dos principais pontos turísticos da cidade e um entreposto comercial importante para o centro histórico expandido da capital paulista, que atrai visitantes do Brasil e do mundo. Em 2004, o prédio foi tombado pelo patrimônio histórico. Desde 2021 sob concessão da Mercado SP SPE, o objetivo é tornar o Mercadão a maior experiência gastronômica do mundo.
Sobre o Mercado Municipal Kinjo Yamato
Inaugurado em 1936, quando ainda era chamado de Mercado Municipal da Cantareira, passou a se chamar Kinjo Yamato em homenagem a um dos pioneiros da imigração japonesa no Brasil, na celebração dos 80 anos da chegada dos nipônicos ao país, em 1988. Desde setembro de 2021 sob concessão da Mercado SP SPE, o objetivo é reapresentar o Kinjo Yamato, o hortifruti mais charmoso da cidade. Localizado no centro histórico expandido de São Paulo, o Kinjo Yamato é um dos primeiros mercados públicos da cidade, concebido como um espaço especializado em hortifruti, inicialmente a céu aberto. Ainda nos anos 1930, recebeu, como doação, uma cobertura metálica vinda da Escócia que seria utilizada em uma estação de trem do Anhangabaú. A cobertura foi tombada pelo patrimônio histórico.
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