São Paulo, 12 de maio de 2026 – A Copa do Mundo começa daqui a um mês. De quatro em quatro anos, o evento transforma a rotina dos brasileiros. As ruas ganham bandeiras, famílias e amigos se reúnem diante da TV, conversas sobre seleções e jogadores dominam os intervalos e, para as crianças, surgem novas curiosidades sobre países, idiomas, culturas e tradições. Mais do que um campeonato de futebol, o torneio é um fenômeno cultural capaz de despertar emoções, criar memórias afetivas e fortalecer vínculos entre gerações.
Este ano, a competição será sediada em três países – Canadá, Estados Unidos e México — e promete, mais uma vez, mobilizar milhões de pessoas ao redor do mundo. E todo esse entusiasmo também pode ser levado para dentro das escolas. Educadores apontam que o evento mundial é uma oportunidade valiosa para transformar um tema presente no cotidiano dos alunos em ferramenta pedagógica, capaz de engajar crianças e adolescentes em atividades que envolvem cultura, geografia, matemática, história, alfabetização, educação socioemocional e hábitos saudáveis.
Copa é catarse para o brasileiro
Em nosso País, a Copa do Mundo transcende o universo esportivo e se consolida como um fenômeno cultural e social. É um momento em que diferentes gerações compartilham memórias, tradições e expectativas em torno de um objetivo comum.
Segundo a professora de educação física da Escola Bilíngue Aubrick, de São Paulo (SP), Andrea de Luca, o evento é uma oportunidade de crianças e jovens vivenciarem tradições culturais, compreenderem símbolos nacionais, conhecerem costumes de outras nações e participarem de experiências afetivas compartilhadas com amigos e familiares. “Essa mobilização coletiva desperta um forte senso de pertencimento, identidade nacional e celebração. Muitas vezes, é nesse contexto que surgem as primeiras lembranças relacionadas ao esporte, à torcida e ao sentimento de coletividade”, afirma.
Além do aspecto cultural e emocional, o torneio também abre espaço para reflexões importantes sobre respeito, convivência, diversidade e o valor das experiências coletivas, mostrando às crianças como grandes eventos podem unir pessoas em torno de objetivos, emoções e valores em comum.
“Na escola, conseguimos aproveitar essa energia para promover atividades coletivas, estimulando o senso de comunidade. É uma grande oportunidade para estreitar laços entre alunos, famílias e educadores, transformando a empolgação do torneio em experiências de aprendizagem e convivência”, acrescenta Andrea.
Esporte como ferramenta de desenvolvimento
Em um país onde o futebol faz parte da cultura popular, a competição também funciona como uma oportunidade para reforçar a importância do esporte no desenvolvimento infantil e juvenil. A prática esportiva é uma ferramenta importante para a formação integral de crianças e adolescentes, contribuindo para aspectos físicos, emocionais, sociais e cognitivos.
“Ao participar de atividades esportivas, os alunos desenvolvem habilidades como disciplina, cooperação, resiliência, foco, senso de responsabilidade e respeito às regras, competências que impactam diretamente a convivência escolar e a vida em sociedade”, afirma Rodrigo Marçura, docente e coordenador de esportes do colégio Progresso Bilíngue, de Campinas (SP). “Além disso, o esporte favorece a criação de hábitos saudáveis desde cedo, incentivando o movimento em uma rotina cada vez mais marcada pelo sedentarismo e pelo uso excessivo de telas”, acrescenta.
Ainda segundo Marçura, o futebol pode ser uma porta de entrada para despertar nas crianças o interesse por práticas corporais e por uma relação mais positiva com a atividade física. A partir do torneio, as escolas podem promover gincanas, circuitos motores, jogos cooperativos e outras atividades que estimulem o trabalho em equipe, o espírito esportivo e hábitos mais saudáveis dentro e fora da sala de aula.
“O esporte ensina muito além da técnica. Ele ensina sobre persistência, superação, colaboração e respeito. Em um contexto como a Copa do Mundo, conseguimos ampliar esse olhar e mostrar às crianças valores que elas podem levar para a vida toda”, completa Marçura.
Benefícios na Educação Infantil
Na educação infantil, a Copa do Mundo pode ser explorada de forma lúdica, sensorial e afetiva, aproveitando a curiosidade natural das crianças e o encantamento que o evento desperta. Cores, bandeiras, mascotes, uniformes, músicas e mapas se tornam elementos atrativos para despertar o interesse dos pequenos e ampliar seu repertório cultural.
Segundo Jacqueline Cappellano, psicopedagoga e coordenadora da Educação Infantil da Escola Internacional de Alphaville – EIA, de Barueri (SP), nessa fase da vida, em que o aprendizado acontece principalmente por meio da brincadeira, da observação e da experimentação, o tema pode ser um recurso valioso para estimular diferentes áreas do desenvolvimento.
“Trabalhar a temática da Copa do Mundo na educação infantil é uma oportunidade rica para desenvolver os atributos do perfil do aluno, como mentalidade aberta e conhecedora. Aproveitamos a oportunidade para conduzir uma investigação natural, permitindo que as crianças explorem, de forma lúdica, a diversidade cultural, as tradições e os sistemas de comunicação de diferentes nações”, diz.
lém disso, é possível promover o desenvolvimento de habilidades de pesquisa e pensamento crítico desde cedo, incentivando os pequenos a compreenderem que, embora sejamos diferentes em nossas origens, compartilhamos valores globais de cooperação, respeito e fair play. “Na primeira infância, o aprendizado acontece muito pela brincadeira. A Copa oferece elementos visuais, culturais e afetivos que despertam o interesse e ajudam a desenvolver a linguagem, movimento, criatividade e interação social.”
Entre as atividades possíveis apontadas pela docente da EIA, estão pintura de bandeiras, rodas de conversa, brincadeiras temáticas, jogos simbólicos, músicas e contação de histórias sobre diferentes países, povos e culturas.
Oportunidade para trabalhar a interdisciplinaridade
O Mundial também representa uma oportunidade potente para conectar diferentes áreas do conhecimento de forma prática, contextualizada e atrativa. Por fazer parte do cotidiano dos alunos e despertar interesse espontâneo, o tema pode tornar o aprendizado mais significativo, ampliar o engajamento em sala de aula e favorecer experiências pedagógicas integradas.
“A Copa do Mundo é um excelente exemplo de aprendizagem significativa, porque conecta conteúdos curriculares a algo que faz parte do cotidiano dos alunos. Quando o conteúdo faz sentido para a criança, o engajamento e a assimilação tendem a ser maiores. Além disso, o tema permite ampliar repertórios culturais, fortalecer atitudes de respeito e trabalhar, de maneira intencional, a valorização da diversidade e a prevenção de manifestações xenofóbicas”, afirma Henrique Barreto Andrade Dias, coordenador pedagógico do Brazilian International School – BIS, de São Paulo (SP).
Na Geografia, por exemplo, os estudantes podem conhecer os países participantes, suas localizações, culturas, idiomas, costumes, bandeiras, características territoriais e aspectos sociais. Em Matemática, tabelas, gráficos, estatísticas, calendários, placares e probabilidades podem contribuir para o desenvolvimento do raciocínio lógico e da alfabetização matemática. Em História, o torneio pode servir como ponto de partida para revisitar edições anteriores, acontecimentos históricos, transformações sociais, relações internacionais e mudanças culturais ao longo do tempo. Já em Língua Portuguesa, a temática pode inspirar produções textuais, pesquisas, debates, leituras, atividades de interpretação e práticas de argumentação.
Além das disciplinas tradicionais, a Copa abre espaço para discussões fundamentais sobre diversidade cultural, inclusão, convivência, respeito às diferenças, idiomas, consumo consciente, cidadania global e até empreendedorismo, por meio de projetos ligados a eventos, campanhas temáticas, feiras culturais ou vendas simbólicas. “Nesse contexto, é essencial que o trabalho pedagógico vá além da competição esportiva e promova a valorização das culturas dos diferentes países, evitando estereótipos, generalizações e atitudes xenofóbicas”, acrescenta Dias.
Ao estudar as seleções participantes, os alunos podem ser convidados, por exemplo, a reconhecer que cada país possui uma história, uma identidade, diferentes formas de viver, celebrar, se comunicar e se relacionar com o mundo. Essa abordagem favorece o respeito intercultural e ajuda a construir uma visão mais empática, crítica e humana sobre outras nacionalidades. “A escola, nesse sentido, tem um papel importante estimulando o diálogo, a escuta, a curiosidade respeitosa e a compreensão de que as diferenças culturais devem ser reconhecidas como riqueza, e não como motivo de discriminação”, finaliza.
Os especialistas
Andrea De Luca é pós graduada em Estudos Profissionais na Educação pela Bishop Grosseteste University College Lincoln, e em Educação Física Escolar pela Unicamp; e está finalizando mestrado em Gestão Escolar pela USP/Esalq. Atua há 29 anos como professora de educação física escolar em escolas internacionais e bilíngues, e foi voluntária nas pistas de atletismo nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016. Apaixonada por esportes, a docente acredita que os ensinamentos aprendidos nas aulas de educação física, como cooperação, trabalho em equipe, respeito ao próximo, às regras e às diferenças, transcendem as linhas da quadra e impactam a formação integral dos alunos.
Henrique Barreto Andrade Dias é licenciado em Geografia e Sociologia, possui especialização em projetos para o terceiro setor e pós-graduação em Psicologia Positiva, Neurociência, Mindfulness, Neuropsicopedagogia e Neurociência Aplicada à Aprendizagem. Atua na área da Educação há 18 anos e atualmente é coordenador pedagógico do currículo brasileiro do Brazilian International School.
Jacqueline Cappellano é pedagoga, pós-graduada em Bilinguismo e Psicopedagogia coordenadora da Educação Infantil da Escola Internacional de Alphaville. É uma grande entusiasta da Educação Bilíngue e fascinada pelo universo da educação infantil. Enxerga no intercâmbio entre ideias e culturas, um caminho para a paz entre os povos.
Rodrigo Marçura é professor e coordenador de Educação Física do Progresso Bilíngue Cambuí, professor da Rede Municipal de Educação de Campinas/SP e coordenador há mais de 20 anos de viagens pedagógicas para formação de professores e campeonatos esportivos no Brasil e no Exterior. É Bacharel e Licenciado pela Universidade de Campinas- Unicamp e especialista em Educação pela Faculdade São Leopoldo Mandic.
Sobre a ISP – International Schools Partnership
A International Schools Partnership (ISP) é um grupo internacional presente em 25 países, com 109 escolas privadas e mais de 92.500 estudantes em todo o mundo. A ISP apoia e capacita as instituições de ensino, desenvolvendo novos padrões de excelência em educação, para transformar as escolas em referência em suas comunidades locais e no setor educacional global. O aluno da ISP está no centro da jornada de aprendizagem e é preparado para o futuro, tendo acesso a educadores apaixonados e experientes, e ferramentas para que adquira confiança, conhecimento e habilidades; e aprimore seu aprendizado acadêmico, pessoal, social e emocional em um ambiente seguro, acolhedor e inclusivo. Para mais informações, acesse o site.
