sábado, outubro 31, 2026
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Câncer de mama em idade reprodutiva: como conciliar o tratamento com o desejo de engravidar?

Tratamento do câncer de mama pode exigir o adiamento da gravidez, mas estratégias como a criopreservação de óvulos e embriões permitem preservar a fertilidade e planejar a maternidade após a terapia

Breast cancer month, a woman in a white T-shirt with a satin pink ribbon on her chest, a symbol for breast cancer awareness campaign in October

Para muitas mulheres, o diagnóstico de câncer de mama chega cedo, ainda em idade reprodutiva. Algumas descobrem a doença quando planejam engravidar; outras recebem o diagnóstico durante a gestação. Em ambos os casos, conciliar o tratamento oncológico com o desejo de ter filhos exige planejamento e acompanhamento médico especializado.

Daniel Negrini, médico oncologista especializado em câncer de mama que atende no Ambulatório de Câncer de Mama na Gestação do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), destaca que a preservação da fertilidade ainda é um aspecto pouco abordado nas campanhas de conscientização sobre a doença.

“Hoje em dia, as principais sociedades médicas da área de oncologia recomendam formalmente o encaminhamento das pacientes em idade reprodutiva para um profissional que avalie a preservação da fertilidade, especialmente quando elas vão realizar algum tratamento que possa comprometê-la”, explica.

Uma das estratégias disponíveis é a criopreservação de óvulos. O procedimento envolve estimulação hormonal para aumentar a produção de óvulos, que são coletados e congelados antes do início do tratamento oncológico. No futuro, eles poderão ser fertilizados e dar origem a embriões para uma possível gestação.

“É feita uma estimulação hormonal para a paciente conseguir produzir mais óvulos, e esses óvulos são captados e congelados previamente ao tratamento oncológico. No futuro, eles podem ser fertilizados, dar origem a um embrião, e a paciente pode conduzir a gestação quando o momento for adequado”, detalha Negrini.

Nem todas as mulheres submetidas ao tratamento contra o câncer de mama desenvolvem menopausa precoce ou infertilidade. Segundo o médico, os riscos dependem do protocolo terapêutico utilizado e da idade da paciente. Mulheres próximas dos 40 anos, por exemplo, apresentam maior probabilidade de enfrentar dificuldades para engravidar posteriormente.

Por isso, a avaliação da fertilidade deve ocorrer antes do início do tratamento, quando possível. No entanto, o acesso a esses procedimentos ainda não é oferecido de maneira uniforme no Brasil.

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