sexta-feira, abril 3, 2026
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Dia Mundial de Combate ao Câncer: o perigo silencioso do tumor intraocular

A Dra. Paula Delegrego reforça a importância de investigar sintomas como reflexo branco na pupila, pontos cegos no campo de visão, mancha ou lesão nos olhos

A Dra. Paula Delegrego reforça a importância de investigar sintomas como reflexo branco na pupila, pontos cegos no campo de visão, mancha ou lesão nos olhos

Lembrado em 8 de abril, o Dia Mundial de Combate ao Câncer tem como objetivo aumentar a conscientização da população sobre a prevenção, o diagnóstico precoce e o tratamento da doença, que pode surgir em qualquer parte do corpo. A estimativa do Instituto Nacional do Câncer (INCA) é que o Brasil terá 781 mil novos casos de câncer, por ano, no triênio 2026/2028.
A Dra. Paula Delegrego, oftalmologista do H.Olhos, hospital oftalmológico de referência em São Paulo e no ABC Paulista, explica que “nos olhos, qualquer uma das camadas e estruturas pode ser ponto de origem de um tumor maligno e os sinais e sintomas variam de acordo com a localização. Nas fases iniciais, a maioria dos cânceres oculares é assintomático, por isso é muito importante fazer um exame oftalmológico de rotina anualmente”.
A médica alerta para 9 sinais que devem motivar uma avaliação oftalmológica imediata:

– Leucocoria: é o reflexo branco na pupila, frequentemente percebido em fotografias com flash. É o sinal clássico do retinoblastoma em crianças;

– Estrabismo de início recente em crianças sem histórico anterior;

– Perda progressiva ou súbita da visão em qualquer faixa etária;

– Visão embaçada, distorção de imagens ou pontos cegos no campo visual;

– Flashes de luz ou aumento de pontos que flutuam no campo de visão de forma abrupta;

– Mancha ou lesão visível na conjuntiva, íris ou ao redor do olho com crescimento progressivo;

– Olho vermelho crônico ou inflamação ocular que não responde ao tratamento convencional;

– Proptose (olho projetado para fora) ou assimetria facial;

– Dor ocular persistente sem causa aparente.
Os cânceres oculares podem surgir em qualquer fase da vida. “Nas crianças, o de maior incidência é o retinoblastoma, enquanto na idade adulta, os tipos mais comuns são o linfoma intraocular primário, o melanoma uveal, a neoplasia escamosa da superfície ocular e as metástases oculares. O diagnóstico precoce é fundamental para elevar as chances de cura e de preservação da visão”, afirma a oftalmologista.
A Dra. Paula Delegrego esclarece de que forma cada um desses tumores afeta o globo ocular:
Retinoblastoma – tumor ocular maligno mais comum na infância. Acomete a retina, camada interna do olho responsável por captar a luz, e surge predominantemente antes dos 5 anos de idade, com pico entre 1 e 2 anos. Pode ser unilateral (um olho só) ou bilateral (os dois olhos); quando bilateral, é quase sempre de causa genética.

Linfoma Intraocular Primário (PVRL) – tipo de câncer do sistema linfático caracterizado pelo crescimento rápido de células B anormais (glóbulos brancos). Acomete primariamente o vítreo (gel transparente que preenche o interior do olho) e a retina (camada localizada no fundo do olho que capta a luz e a converte em impulsos nervosos, enviados ao cérebro para formar as imagens). É mais frequente em pessoas acima dos 60 anos e pode ter relação íntima e direta com linfoma primário do sistema nervoso central (LPSNC).

Melanoma Uveal – tumor ocular maligno primário mais comum em adultos. Surge na úvea, camada situada entre a esclera (parte branca do olho) e a retina, que é formada pela coroide, corpo ciliar e íris, sendo a coroide o local mais frequente. Aparece sobretudo entre os 50 e 70 anos, com discreta predominância em pessoas de pele clara e olhos claros.

Metástases Oculares – surgem principalmente na coroide, fina camada de tecido vascularizada e pigmentada situada entre a esclera (parte branca) e a retina, na parte posterior do olho. Os cânceres de mama (na mulher) e de pulmão (no homem) os que mais frequentemente enviam metástases para o olho.
Neoplasia Escamosa da Superfície Ocular (OSSN) – grupo de tumores malignos ou pré-malignos de crescimento lento que afetam a conjuntiva e a córnea (superfície externa do olho). É mais comum em adultos a partir dos 50 anos, com incidência maior em regiões tropicais e de alta exposição solar.
Embora a maioria dos cânceres oculares seja de causas genéticas, algumas medidas podem reduzir o risco e contribuir para o diagnóstico precoce. De acordo com a especialista, “é fundamental realizar o teste do reflexo vermelho em bebês, utilizar óculos escuros com proteção UV ao se expor ao sol, manter o sistema imunológico saudável e fazer acompanhamento oftalmológico regularmente. Além disso, famílias com histórico de retinoblastoma necessitam de vigilância oftalmológica rigorosa desde o nascimento”.

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