Monólogo “Pagu – Do Outro Lado do Muro” entra em curtíssima temporada no Teatro de Arena Eugênio Kusnet

Com texto escrito por Tereza Freire espetáculo tem a atriz Thais Aguiar no papel de Patrícia Rehder Galvão, a Pagu, e revela o resultado de uma investigação dos destroços mais profundos e pouco conhecidos da história da militante política e cultural, e uma das pioneiras do feminismo no Brasil

Há mais de cinco anos, Thais Aguiar começou suas pesquisas para levar aos palcos a biografia de Pagu, uma das percursoras da luta feminista no Brasil. O espetáculo “Pagu – Do Outro Lado do Muro” tem o texto de Tereza Freire que também é autora do livro em que o espetáculo foi inspirado e faz curtíssima temporada, nos dias 30 e 31 de janeiro e 6, 7, 27 e 28 de fevereiro, no Teatro Arena Eugênio Kusnet, no Centro de São Paulo, com apoio da Funarte

“As pessoas precisam saber que Pagu foi muito além de ser a ‘mulher de Oswald de Andrade’, predicado injusto que é usado para descrevê-la. Ela me ensinou com sua trajetória de vida que o título de mulher e mãe nos é dado como um prêmio pelo patriarcado e que infelizmente esse prêmio nos serve mais como prisão e anulação dos nossos dons e escolhas. Os tempos mudaram”, explica Thais, que além de dar vida à personagem também assina a direção do espetáculo.

A atriz também destaca que “estamos nos fortalecendo como mulheres, recuperando nosso espaço de fala, de direito e Pagu já nos mostrava que o caminho seria árduo, mas possível! Escolhi dar vida a Pagu e com a dramaturgia de Tereza Freire, sem nenhum romantismo ou histórias pessoais e paralelas o espetáculo faz uma provocação extremamente atual sobre a luta por justiça social e retomando uma cultura de papel transformador. As pessoas poderão vivenciar uma jornada cheia de detalhes para entender toda a complexidade dessa personalidade”.

O texto é baseado no livro “Dos Escombros de Pagu”, resultado de uma tese de mestrado de Tereza Freire, que também assina o texto do espetáculo. A pesquisa resgatou a vida e a obra dessa importante precursora de comportamentos político-socioculturais brasileiros de uma feminista, militante política, ilustradora, comunista e crítica literária e teatral. Ela marcou a história do Brasil, revolucionando e chocando a sociedade dos anos de 1930, com suas ações e pensamentos inovadores.

Em “Pagu – Do Outro Lado do Muro”, a personagem volta para narrar sua trajetória de vida com todos os acontecimentos vividos e superados, sem qualquer sentimento de culpa e vitimização dos fatos. Uma interpretação que mergulha nas memórias da personagem e emociona pela veracidade dos acontecimentos vivenciados, deixando o público livre para interpretar a história como quiser e com isso a narração atinge uma amplitude para além da informação.

Sobre Patrícia Redher Galvão (Pagu)

Nasceu em São João da Boa Vista (09/06/1910), morreu em Santos (12/12/1962). Foi autora do primeiro romance proletário brasileiro (Parque Industrial) e a primeira presa política deste país. Casada com Oswald de Andrade, destacou-se significativamente no movimento Modernista de 1922. Ainda jovem, trabalhou em fábricas e militou pelo Partido Comunista.

Escreveu contos policiais publicados pela revista Detective, dirigida pelo dramaturgo Nelson Rodrigues, que depois (1998) foram reunidos na obra Safra Macabra. Em trabalhos, junto a grupo teatrais, revelou e traduziu grandes autores, até então inéditos no Brasil, como James Joyce, Eugène Ionesco, Arrabal e Octavio Paz.

Fundou um jornal de esquerda com Oswald de Andrade, empastelado pela polícia repressora da época. Foi perseguida pela ditadura Vargas. Militou na França, foi presa e deportada para o Brasil. Antes, presenciou a coroação do Imperador Pu Yi, da Manchúria. Presa em 1935, permaneceu encarcerada por 5 anos. Foi torturada e, somente libertada por motivos de doença, pesando cerca 40kg.

Tentou suicídio por conta de um tratamento de câncer mal sucedido. Em Santos, tornou-se uma das grandes incentivadoras do teatro amador, responsável pela descoberta de Plínio Marcos.

Morreu aos 52 anos, vítima de câncer no pulmão. Seu último marido foi Geraldo Ferraz, crítico do jornal “A Tribuna” (Santos), em que também foi colaboradora. Caiu no esquecimento da história oficial até que Augusto de Campos publicou sua antologia poética e “gritou”: Quem resgatará Pagu?

Pagu – Do Outro Lado Do Muro

Sextas e sábados, dias 30 e 31 de janeiro e 6, 7, 27 e 28 de fevereiro

Horário de início do espetáculo: 20h

Local: Teatro de Arena Eugênia Kusnet

Endereço: Rua Dr. Teodoro Baima, 94 – Vila Buarque, São Paulo/SP

Gênero: Drama.

Duração: 70 minutos.

Classificação: 14 anos.

Ingressos: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia) via Sympla (https://www.sympla.com.br/evento/pagu—do-outro-lado-do-muro/3284227)

Ficha Técnica

Atuação e Direção: Thais Aguiar

Texto: Tereza Freire

Orientação e Provocação: Erika Moura e Natália Siufi

Trilha Sonora original e execução ao vivo: Paulo Gianini

Iluminação e operação: Tomate Saraiva

Fotografias: Arô Ribeiro

Produção: Jucimara Canteiro

Cenário: Livia Loureiro

Assessoria de Imprensa: Antonio Montano

Design Gráfico: Theo Siqueira

Realização: Espontânea Cia. de Teatro

Apoio: Funarte

SINOPSE

“Pagu – Do Outro Lado do Muro”, texto de Tereza Freire, trata da riquíssima vida de Patrícia Galvão materializada por Thais Aguiar. Muito além de homenagear esta brasileira que foi uma mulher à frente de seu tempo, a peça dá voz a Pagu, musa dos modernistas, militante das grandes causas da humanidade, amante da vida, inquieta, lúcida, mãe, filha, poeta, jornalista…

No texto, a “personagem Pagu” apresenta sua história com a generosidade que sempre a acompanhou e relembra tudo o que viveu, desde a infância até o final de sua vida. Passa por sua relação com Tarsila do Amaral e os modernistas, fala de seus filhos, amores, amigos, da família, das viagens, das descobertas, da menina irreverente que foi e da mulher guerreira em que se transformou. Neste relato emocionante, poético e muito bem-humorado, Pagu nos leva a conhecê-la, entendê-la, amá-la.

SINOPSE CURTA

“Pagu – Do Outro Lado do Muro”, apresenta a história de Patrícia Redher Galvão com a generosidade que sempre a acompanhou e relembra tudo o que viveu, desde a infância até o final de sua vida. Muito além de homenagear esta brasileira que foi uma mulher à frente de seu tempo, a peça dá voz à Pagu, musa dos modernistas e militante das grandes causas da humanidade.

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