terça-feira, setembro 22, 2026
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“Projeto de vida deve ser escrito a lápis”: como jovens escolhem carreira em um mercado redesenhado pela IA

Às vésperas dos vestibulares, estudantes de 16 e 17 anos pensam no futuro enquanto inteligência artificial transforma profissões e competências

Créditos: Reprodução/IStock

Escolher uma profissão aos 17 anos já é um desafio em meio ao Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), vestibulares e expectativas sobre o futuro. Para esta geração, há ainda outra questão: o mercado de trabalho pode mudar bastante nos próximos anos.

O Future of Jobs Report 2025, do Fórum Econômico Mundial, estima que 22% dos empregos atuais serão impactados por transformações até 2030, com 170 milhões de postos criados e 92 milhões deslocados. Quase 40% das competências exigidas dos trabalhadores também devem mudar, impulsionadas por áreas como inteligência artificial, Big Data e desenvolvimento de software.

Com o Enem marcado para 8 e 15 de novembro e os principais vestibulares se aproximando, a discussão ganha força entre estudantes do Ensino Médio. No Colégio Marista Glória, em São Paulo, o orientador pedagógico Wagner Botelho resume a proposta em uma frase: “O projeto de vida deve ser escrito a lápis.”

“O estudante pode ter um plano, mas ele precisa estar aberto a revisões, correções, amadurecimento e novas possibilidades”, afirma.

A reflexão sobre carreira integra o Projeto de Vida da formação Marista e envolve autoconhecimento, interesses, habilidades e contato com profissionais e universidades.

Tecnologia no radar

Aos 17 anos e na 3ª série do Ensino Médio, Matheus Marttos Operman pensa em seguir Engenharia de Software ou Sistemas de Informação.

“Escolher uma carreira com essa idade não é uma das tarefas mais fáceis. Ao mesmo tempo, sinto realização por estar terminando o colégio e começando outra etapa da minha vida”, conta.

O interesse pela tecnologia ganhou força no Ensino Médio, especialmente após as aulas de robótica dentro da Formação Interdisciplinar Optativa (FIO). Hoje, Matheus acompanha de perto uma área diretamente impactada pela inteligência artificial.

“Com as IAs, devemos ser mais criativos e desenvolver novas estratégias para criar soluções mais inteligentes. Ao mesmo tempo, existe a preocupação de acompanhar essas evoluções e estar na linha de frente das transformações”, afirma.

Aos 16 anos, ainda é tempo de explorar

Felipe Abib, da 2ª série do Ensino Médio, vive outra fase. Aos 16 anos, considera Ciência da Computação, Empreendedorismo e Direito e prefere manter as possibilidades abertas.

“Tenho planos traçados, mas sem me prender a isso. Procuro viver o máximo de experiências possíveis para aumentar meu repertório”, diz.

O interesse por tecnologia veio da convivência com o pai, enquanto o Empreendedorismo ganhou força após uma edição anterior da Roda de Profissões. Para ele, a ideia de um projeto de vida “escrito a lápis” traduz esse momento.

“Algo que hoje nem existe, amanhã pode ser a base mundial. Não dá para se prender a uma ideia fixa em um mundo tão mutável.”

Segundo Wagner, esse é justamente o papel da orientação profissional. “O objetivo não é dizer ao aluno qual curso escolher, mas ajudá-lo a entender suas habilidades e confrontar expectativas com a realidade das profissões.”

A inteligência artificial também entrou nessa discussão. Em setembro, o Conselho Nacional de Educação aprovou diretrizes para seu uso em escolas e universidades, abordando supervisão humana, proteção de dados e uso responsável.

“Não basta saber usar uma ferramenta. É preciso entender seu propósito e seus limites. A inteligência artificial pode apoiar o estudante, mas não substitui a capacidade humana de pensar, criar e decidir”, destaca Wagner.

Roda de Profissões chega à 4ª edição

A discussão ganhou espaço, na prática, durante a 4ª edição da Roda de Profissões do Colégio Marista Glória, encerrada no último dia 19. Ao longo da programação, estudantes do Ensino Médio participaram de encontros com profissionais, professores e instituições de ensino superior para conhecer diferentes trajetórias, esclarecer dúvidas sobre cursos e discutir as transformações do mercado de trabalho.

Nesta edição, a programação foi ampliada e reuniu universidades, oficinas, testes vocacionais, familiares e também estudantes dos anos finais do Ensino Fundamental. Entre as atividades esteve a roda de conversa “Profissões do futuro e o bom uso da Inteligência Artificial”, que colocou a tecnologia no centro das reflexões sobre formação e carreira.

Para Matheus, o contato direto com profissionais ajuda a tornar as escolhas mais concretas. “Tirar dúvidas com pessoas experientes é diferente de apenas pesquisar online. A carreira deixa de ser uma ideia abstrata e se torna algo real.”

Saiba mais: 

O Marista Glória faz parte da rede de colégios e escolas do Marista Brasil, que está presente em 21 estados brasileiros e no Distrito Federal, atendendo cerca de 100 mil crianças, jovens e adultos em 97 unidades de ensino. Os estudantes recebem formação integral, composta pela tradição dos valores Maristas e pela excelência acadêmica alinhada aos desafios contemporâneos. Por meio de propostas pedagógicas diferenciadas, crianças e jovens desenvolvem conhecimento, pensamento crítico, autonomia e se tornam mais preparados para viver em uma sociedade em constante transformação. Saiba mais em: maristabrasil.org/.

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